Pequeno ensaio sobre a náusea (ou sobre qualquer coisa que vem de dentro) – Ane Battagy
Queria fazer um relato. Tinha tanta coisa a dizer, mas sempre havia aquela falta momentânea de léxico… E talvez de coração.
Ficava o tempo todo tentando descobrir se o que perdera era inspiração ou apenas adquiriu algo que depois veria que era intrínseco. Não só a ela, a todos. E isso lhe causava espasmos e crises intensas de choro. Já não conseguia separar sonho e realidade, mesmo assim queria todo tempo viver um pouco do que um dia pensou que fosse só que era uma máscara – que já não lhe serviria mais.
Estigmatizada tentava seguir, exteriorizando aquilo que um dia conseguiu conter e essa era mais uma das coisas que não fazia sentido. O pólen nem o ferrete lhe atingiam mais.
Era dura, fria, destemida. Só temia ser estanque. Não via mais veracidade em seus atos e palavras por mais uterina que eles poderiam ser. Porque não ter sentidos ainda é válido quando não se é conformada, mas dizia isso com certa hipocrisia já que o conformismo proveria de suas máscaras… E porque não pensar que começara a criar novas máscaras? Não se sentia no direito de criar.
Quem sabe continuar numa trilha por alguém estabelecida? Não. É preciso inovar. Idéias borbulhavam na cabeça, mas ainda não se sentia no direito de criar. Criara assim uma paixão. Queria algo mais palpável, perdeu o açúcar que carregava nos bolsos e deixara assim de ver como sublime poderia ser o ser, ou apena ser. Paixão não é palpável. Nem paixão nem idéia… Desistiu. Não era a primeira vez que faria isso durante o percurso.
Era estanque e não mais temia ser assim, ou temia e fingia que não, como também fingia não ser, de novo.
E será que isso seria mesmo o final de toda criatura?
Se fosse esse, estaria próximo, pois quando pensou ser epifania era apenas náusea. E quando a náusea toma conta de um ser estanque é melhor deixar correr o sangue pelas artérias e pulsar mais uma vez a última gota de luz que morava em seu corpo: Es… Trela.
Expropriou seu próprio eu e foi ver como era viver lá do outro lado.